segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Súplica.

Meu amor, me esqueça.
Permaneça constante em meu pensamento
Mas, esqueça.
Tropece em flores pelas ruas
e me esqueça.
Esquente a cama em frias noites,
e se esqueça.
Cancele os olhos e a promessa
e me peça
pra que te esqueça, minha condessa.
Aperte forte e depressa
e perceba que me aquece e não se esquece.
Meu amor, me aqueça.

Tarde de segunda.

Tapei dois furos da parede. Mesmo assim a água jorrava. Um elefante invadiu meu pensamento. Comecei a calcular quanto o pedreiro cobraria. Dois contos de réis e eu ainda não via resultado. A água invadia meu quarto, meu pensamento, minha imaginação.
Duas doses no relógio e eu ainda não via resultado. Mais dois contos de réis. A felicidade me consumia. O furo da parece desaparecia.
A água não mais escorria.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Rimando sentimentos.

Refaço a coragem pra rimar com adeus,
Procuro sorrisos pra rimar com os seus.
Disfarço a tristeza pra rimar com indiferença,
Descubro saudades pra rimar com a presença.
Escondo o desejo pra rimar com solidão,
Tapo dores pra rimar com a decepção.
Busco a nitidez pra rimar com escuro.
Esqueço lembranças pra rimar com o futuro.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Fragrância.

Cabisbaixa. Não entendia a maneira com a qual certo parecia ser tão errado.
Olhando pela janela, avistou um casal dançando numa harmonia invejosa.
Sincronizou uma musica compatível com os passos do casal. Não tão rápido, nem tão devagar.
Estavam dançando tão lindamente, que se perdeu no romance que pulsava dos olhos dela.
Ele, cuidadosamente a guiava para dentro de si num impulso que parecia girá-los sem perigo algum de escape.
Como um laço, os braços nada delicados dele a envolviam num abraço aflitivo, gritando por um pouco de tristeza. Era tanta felicidade, que sufocava todos em volta.
De tanto observar, o casal percebeu os olhares da menina.
Fecham-se as cortinas. Tudo estático. A sala cheirava inveja.