Dentro de tanto sentimento, busquei um buraco vazio de pensamento. Um cálice de verdade, um pingo de consciência. Todo dia a mesma hora e a mesma esperança, chegava uma rosa. E todos discutiam qual amante arredio e simplório retirava da moça o mais belo sorriso. Tal qual um ladrão, roubava dela todas as alegrias e simpatias. Dentro de mim, o sentimento se esvairia em inveja santa. E foi assim por muitas voltas no relógio. Mas teve um dia, que não teve alegria. A mesma hora de tantos sorrisos, se fechou em minutos suspensos de ternura rompida na face da bela moça. A decepção era tão clara, que ficava escura qualquer interpretação.
E o relógio marcava mais quatro doses. A coragem subiu ao sangue, e as palavras saltaram da boca feito beijo roubado. Escrava de um pensamento só seu, sussurrou no meu ouvido quem era o tal príncipe encantado. Desencantada, fechei os olhos e num ápice de segundo não sentia mais inveja alguma, sentia que algo estranho tomava conta do meu âmago. O tal mistério se fechou em algo simples e triste. Não havia ladrão nem príncipe. O remetente era o destinatário, o destinatário era remetente. E de todos esses, a única que não aparecia, era a tristeza escondida no vão dos olhos dela.
me fez voar lá longe. lindo!
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