sábado, 2 de outubro de 2010

A última pétala.

É de pés descalços e de coração vazio,
De mente aberta e corpo sozinho,
Que eu começo a me desintegrar
Como uma pluma no ar.
É de lágrimas nos olhos e de aperto no peito,
De decepção e de caos no sujeito,
Que eu começo a perceber,
Que valeu a pena só aquilo
Que eu derramei.
É de ponto final e de um novo começo,
De um longo caminho e de vários tropeços,
Que eu começo a entender,
Que vai ser difícil sem você.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sumi.

Quando a manha parece meio fosca,
quando a metade parece meio tosca.
Hoje amanheci meio assim.
Meio triste, meio agoniada.
Meio mulher, meio mascarada.
Quando o final parece existir,
quando a cortina começa a se abrir.
Hoje amanheci meio assim.
Meio romântica, meio sensível,
meio chorosa, meio indescritível.
Quando não se mede os esforços,
quando se esquece o foco.
Hoje amanheceu meio assim.
Meio sem razão, meio sem mim.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um único endereço.

Dentro de tanto sentimento, busquei um buraco vazio de pensamento. Um cálice de verdade, um pingo de consciência. Todo dia a mesma hora e a mesma esperança, chegava uma rosa. E todos discutiam qual amante arredio e simplório retirava da moça o mais belo sorriso. Tal qual um ladrão, roubava dela todas as alegrias e simpatias. Dentro de mim, o sentimento se esvairia em inveja santa. E foi assim por muitas voltas no relógio. Mas teve um dia, que não teve alegria. A mesma hora de tantos sorrisos, se fechou em minutos suspensos de ternura rompida na face da bela moça. A decepção era tão clara, que ficava escura qualquer interpretação.
E o relógio marcava mais quatro doses. A coragem subiu ao sangue, e as palavras saltaram da boca feito beijo roubado. Escrava de um pensamento só seu, sussurrou no meu ouvido quem era o tal príncipe encantado. Desencantada, fechei os olhos e num ápice de segundo não sentia mais inveja alguma, sentia que algo estranho tomava conta do meu âmago. O tal mistério se fechou em algo simples e triste. Não havia ladrão nem príncipe. O remetente era o destinatário, o destinatário era remetente. E de todos esses, a única que não aparecia, era a tristeza escondida no vão dos olhos dela.

domingo, 19 de setembro de 2010

Perfume.

Ainda que fosse sincero o suficiente,
ainda que o amor transpassasse as barreiras,
ainda que o remédio de tantas lágrimas
fosse barato,
seria pouco.
Ainda que o inicio fosse divino,
ainda que a mensagem fosse sublime,
ainda que o tempo fizesse o serviço,
seria pequeno.
Ainda que eu sinta tanto arrependimento,
ainda que o amor machuque dentro do peito,
ainda que eu não aguente mais respirar,
eu não vou ceder.
Mesmo que concreto fosse,
ignorado o sentimento foi,
e de nada me valeu.
Acordei de manha,
e o seu perfume ainda permaneceu.